Lais Fontenelle

Tema(s): Adolescência, Saúde mental

Adolescências. Nova série da Netflix

A minissérie Adolescência, lançada na última sexta-feira 14.03 na plataforma Netflix, deveria ser obrigatória para todos aqueles que se relacionam ou trabalham com sujeitos experenciando essa fase do desenvolvimento nos tempos atuais. São 4 episódios de tirar o fôlego onde as diferentes violências vividas por todos vai se descortinando e se tornando insuportável aos nossos cegos olhos adultos, pois os adolescentes já as experimentam no seu cotidiano real e virtual.

É sabido que os adolescentes sofrem. Pela oscilação hormonal que traz mudanças no corpo. Pela puberdade que marca a perda da infância concomitante com a interdição sexual do mundo adulto. Sofrem pelo não lugar social e hoje, mais do que nunca, sofrem pelo atravessamento subjetivo das redes sociais que lhes convida, sem intervalo, a uma comparação social sem precedentes. O rastro digital é experimentado por eles, nessa peculiar fase de formação identitária, sem que se deem conta. Em outros momentos, seria possível esquecer um fato negativo. Na vida digital , carrega-se aquele comentário para sempre.

É na adolescência, também, que o distanciamento das figuras parentais deve acontecer para dar lugar à liberdade e à autonomia. Porém, é nessa fase de interdependência que os jovens precisam de mais acolhimento e escuta e de menos julgamento rumo à maturidade emocional. Entender a lente e os códigos da adolescência atual é tarefa imprescindível para que nós adultos possamos olhar para eles com maior compaixão e afeto, pois só assim será possível ajudá-los.

A partir de um crime, supostamente, cometido por Jamie (protagonista da série), no auge dos seus somente 13 anos, são revelados muitos temas e violências que tangenciam a adolescência contemporânea sendo eles: bullying e cyberbullying, pornografia, nudes, machismo tóxico, mas acima de tudo a exclusão social que faz com que eles não se sintam pertencentes, amados ou sequer vistos.

Escola e Família devem dar as mãos para que o cuidado seja uma responsabilidade compartilhada e a segurança assegurada. É preciso não só assistir a série, mas criarmos rede de escuta e apoio a esses sujeitos para que possam adolescer sem adoecer. Não percam!